As participações de Andres Sanches e Mario Gobbi nos obscuros contratos do jogador Maycon (com documentos)

Em 16 de março de 2018, o Corinthians vendeu a totalidade (100%) dos direitos do volante Maycon, criado nas categorias de base do clube, para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, por 6,6 milhões de Euros, divididos em dois pagamentos iguais de 3,3 milhões de Euros (a serem honrados num período curto, de apenas três meses).
O primeiro deles ocorreu no dia 29 de março e, na cotação do dia, foi equivalente a R$ 13.473.570,00.
A última parcela foi quitada em 29 de junho, e já valia R$ 14.852.970,00.
Total de R$ 28.326.540,00.
Desse montante, porém, 20% foram destinados ao intermediário Fernando Garcia (nas linhas abaixo explicaremos), repasse assinado, gratuitamente, em 03 de abril de 2014 (quando Maycon começou a se destacar nas categorias de base) pelo então presidente Mario Gobbi, com anuência de Fernando Alba, o agente de jogadores que ocupava a diretoria do departamento.
Ou seja, quatro anos depois, o ‘presente’ passou a valer R$ 5.665.308,00.
Mas os descontos não ficaram por aí.
Apesar de Maycon ter a carreira gerenciada por Garcia, outro agente apareceu para receber mais 10% de comissão: o franco-argelino Logbi ‘Franck’ Henouda, através da ‘FLH Negócios Internacionais Ltda.”, que mantém em sociedade com o advogado Marcelo Amorretty Souza.
Logbi ‘Frank’ Henouda

Henouda, que foi citado no livro francês ‘La Face Cachée du Foot Business’ como ‘colaborador’ dos negócios esportivos da Máfia Ucraniana no Brasil, é parceiro comercial, há anos, de Kia Joorabchian, sócio do presidente do Corinthians, Andres Sanches.
Em síntese: menos R$ 2.832.654,00 nos caixas do Corinthians.
Até o momento, de R$ 28.326.540,00 sobraram R$ 19.828.578,00.
Acredite, teve mais.
De maneira inusual, o presidente Andres Sanches abriu mão dos direitos de formação de Maycon, ou seja, mais 5% do valor total da transação.
R$ 1.416.327,00.
Outro dado estranho, exposto no contrato, é que, apesar do negócio envolver um clube da Ucrânia e outro do Brasil, o banco indicado para transferência dos valores foi o Commerzbank, agência Frankfurt, da Alemanha.

Os números finais do negócio Maycon, sem contar impostos e demais taxas (dos quais, em contrato, Andres Sanches também desistiu de cobrar dos ucranianos), ficaram em R$ 18.412.251,00, ou seja, quase R$ 10 milhões a menos do que poderia ter entrado, de fato, na contabilidade do clube.
Por falar em contas, estranhamente, tanto no balanço de 2019, quanto no de 2020, essa transferência e seus ‘pormenores’ são absolutamente ignorados.
À título de ‘curiosidade’, embora possa até ser mais do que isso, Marcelo Amorretty Souza, sócio de Henouda, portanto beneficiário de comissionamento no negócio, ao mesmo tempo em que era contratado do Corinthians para intermediar a venda de Maycon, advogava contra o clube, a favor de Paulo Sérgio Palomino, que, recentemente, venceu ação comprovando intermediação do patrocínio com a Hypermarcas.

Contrato de repasse, gratuito, de 20% dos direitos de Maycon para o agente e, à época, conselheiro do Corinthians, Fernando Garcia
No dia 03 de abril de 2014, o Corinthians, através de seu presidente, Mario Gobbi, cedeu, gratuitamente, 20% dos direitos do jovem jogador Maycon, destaque nas categorias de base do clube, ao então conselheiro Fernando Garcia, irmão de Paulo Garcia, dono da Kalunga.
Para ‘camuflar’ a operação, que afronta o Estatuto alvinegro, o contrato foi assinado por duas empresas: B2F Marketin Esportivo Ltda, através de Bruno Missoreli, e a GT Sports Assessoria Esportiva Ltda, pela caneta de Thiago Tiraboschi Ferro.
10% para cada empresa; 20% no total.
Ambos são sócios de Fernando Garcia, na Elenko Sports.
O atleta foi sugerido a eles pelo então diretor Fernando Alba, que, provavelmente, não deve ter recebido vantagens pela indicação.

Fonte: Blog do Paulinho