Ter mecenas é vantagem, mas riscos precisam ser controlados, avalia especialista

Seja para pagar uma dívida urgente ou para reforçar seus elencos, Atlético e Cruzeiro vêm recorrendo a torcedores endinheirados para ajudar o clube. Rubens Menin e Ricardo Guimarães, no Galo, e Pedro Lourenço, na Raposa, são mecenas que ajudam os clubes a se manterem de pé. Diretor da Pluri Consultoria, Fernando Ferreira vê vantagens em clubes que podem contar com figuras como essas, desde que não haja implicações políticas nos empréstimos ou doações. “Eu acho o mecenas uma vantagem. Há riscos, que devem ser controlados pelos poderes políticos do clube. O clube é soberano no seu estatuto para determinar onde estão os riscos e como lidar com eles. Os riscos são esses mecenas virarem donos informais dos clubes, ditarem as regras e tudo o mais. Na hora que o dinheiro está entrando é uma maravilha e na hora que a dívida está contraída e as condições aparecem, a situação é diferente”, destacou Ferreira, em entrevista à rádio Super 91,7 FM, nesta terça-feira (21). Presidente do Palmeiras entre 2013 e 2016, Paulo Nobre é considerado o exemplo de alguém que usou sua fortuna em prol do clube do coração. “O Paulo Nobre foi um mecenas que mudou a história do Palmeiras, ao colocar o dinheiro para sanear o clube e entregar o clube em uma condição completamente diferente. Ele trocou dívidas do clube com ele, que eram dívidas que custavam pouco e tinham longos prazos. O Palmeiras conseguiu se estruturar a partir daquela operação. Esse tipo de posição é extremamente benéfica”, avaliou Ferreira.   Participação No Atlético, Rubens Menin tem auxiliado diretamente nas contratações de atletas para reforçar a equipe de Jorge Sampaoli. O dinheiro depositado no projeto já passa de R$ 100 milhões. Paralelamente, o fundador da MRV Engenharia também ajuda na construção do futuro estádio atleticano. A empresa pagou R$ 60 milhões pelos naming rights e Menin doou o terreno do estádio, no valor de R$ 49 milhões. “Sem a MRV o Atlético dificilmente colocaria a arena de pé e o estádio vai ser uma fonte de recursos futuros para o clube. Dar o dinheiro por dar é uma operação arriscada. Dar dinheiro para uma condição de caixa futuro, é positivo”, analisou Fernando Ferreira. No Cruzeiro, a relação de Pedro Lourenço também é de longa data, por meio de patrocínios diretos do Supermercados BH ou de dinheiro do próprio bolso do proprietário da rede. Mais recentemente, ele ajudou a pagar a parcela de quase R$ 4 milhões da dívida com o Zorya, da Ucrânia, referente à contratação do atacante Willian Bigode. No fim do ano passado, Pedrinho ajudou na compra de parte dos direitos econômicos do lateral-direito Orejuela, em uma transação de R$ 6,8 milhões.

Fonte: O Tempo