Sonho de moleque: Marllon vai pisar no Mineirão, enfim, como jogador do Cruzeiro

Quando ainda era um garoto, Marllon esteve na base do Cruzeiro. E logo transformou o clube em seu time do coração. O Mineirão foi o estádio que o atleta mais frequentou como torcedor, sempre aproveitando cada bilhete que ganhava como atleta da base para poder ver as pelejas do time estrelado. Hoje, com a ausência de Léo, que testou positivo para a Covid-19 e entrou em quarentena, o zagueiro poderá vivenciar algo que imaginava quando moleque e circunstâncias não permitiram. Entrar no Gigante da Pampulha como um jogador do Cruzeiro.  “Eu, mais novo, quando era da base do Cruzeiro, o estádio que eu mais fui na vida foi o Mineirão, o time que mais torci de arquibancada foi o Cruzeiro. Todos jogos que tinham em casa, nós ganhávamos os ingressos. Cada jogador da base tinha direito a um ingresso, na minha época era assim. Então juntava dois, três amigos que eu tinha, pegávamos um táxi e partíamos para o Mineirão. O time que eu mais torci na minha infância e juventude foi o Cruzeiro. E agora vai ser uma experiência diferente. Feliz demais de poder entrar no Mineirão vestindo a camisa do Cruzeiro”, celebrou Marllon.  “Uma oportunidade única, feliz demais de vestir essa camisa, talvez retornar ao Mineirão, quando puder, com a torcida a favor, será muito gostoso, muito prazeroso”, acrescentou o zagueiro, de 28 anos, um dos mais experientes do setor.  Para sempre grato Na entrevista ao Super.FC, o jogador reforçou o agradecimento ao Cruzeiro por ter lhe ajudado na construção do caráter que possui. A história de um menino das favelas cariocas que encontrou na Raposa exemplos e a chance de poder fazer o que sempre sonhou: ser um jogador de futebol.  “Eu sou grato eternamente ao Cruzeiro por ter me formado como homem, o caráter que tenho hoje, ter criado a responsabilidade porque não é fácil você sair de casa com 13, 14 anos, seus pais aceitarem, e você vir para um clube com a estrutura que aqui tem. Para mim foi muito bom, foi um aprendizado muito bom. Sou grato e fico feliz com essa formação que tive aqui”, apontou o defensor, que recordou ainda de alguns nomes que estiveram com ele na base celeste.  “Foi difícil, mas fiquei feliz de ter passado aqui na base, fiz grandes amigos. Minha geração tinha alguns nomes, como o Élber, que vingou, o Lucas Silva volante, e por aí vai. Esses aí eu tenho contato, a gente sempre se fala, tocamos no assunto. Foi uma passagem marcante para mim”, destacou o atleta estrelado.  Ajuda de um amigo Marllon recordou também os primeiros passos no futebol e como veio parar no Cruzeiro. Um empurrão que contou com o apoio de um vizinho.  “Eu sempre joguei campeonatos de favela, disputava torneios e tudo mais que tinha no Rio de Janeiro. Eu tinha um vizinho meu, que se chama Luís, apelido de Luisinho, que todas as vezes que saía para dar treino para a molecada, batia na minha porta, me chamava e daí foi começando assim. Surgiu na época uma oportunidade de treinar, de fazer um teste no Fluminense, fiquei um tempo, depois fui mandado embora. Depois passou alguns meses, e apareceu a oportunidade de vir para Belo Horizonte e fazer um teste no Cruzeiro. Fiz um teste como todos os outros meninos fazem, até  hoje deve ser assim, e graças a Deus passei. Fiquei duas, três semanas, sendo avaliado até poder ser federado. Tive a felicidade de ser aceito”, relatou o zagueiro.  Disputa acirrada na zaga  No Cruzeiro, o jogador tem uma concorrência forte no setor defensivo, que conta com figuras como o capitão Léo, uma das referências do time, além dos jovens Cacá, Paulo e Arthur, o rodado Ramón, que foi inclusive seu companheiro no jogo de estreia, a derrota para o Coimbra por 1 a 0, e até mesmo Dedé, que ainda não definiu sua vida, mas segue vinculado ao time estrelado.  Uma disputa que qualifica o setor, um dos grandes problemas do Cruzeiro em 2019. Mas essa dor de cabeça, Marllon deixa com Enderson Moreira.  “Quando se trata de time grande, de Cruzeiro, é sempre assim. Não só na disputa entre zagueiros, mas também em outras posições, a gente sempre soube que seria difícil, que teria concorrência de alto nível, E não está sendo diferente. O elenco aqui possui muita qualidade, por mais que tenha meninos novos, eu sempre soube que não seria fácil. Mas é uma briga sadia, nós, que somos da posição, procuramos nos ajudar, evoluir junto, e a gente deixa essa escolha para o professor Enderson Moreira”, observou Marllon.  Outros trechos do bate-papo do Supef.FC com Marllon O futebol e a Covid  No início de tudo, estava com bastante medo de sair de casa, porque a gente vê casos, vê parentes, amigos próximos com a situação bastante delicada em relação à Covid. Mas na retomada do nosso dia a dia, dos nossos treinamentos, o Cruzeiro nos deixou bastante seguros, fez de tudo para que voltássemos com segurança e está mantendo isso. Agora minha cabeça está mudando, estou ficando menos receoso. Espero que não só o Cruzeiro, mas outros clubes que disputarem a Série B, a Série A, façam o mesmo para que nós faça o nosso trabalho com segurança. Medo a gente tem, temos filhos, esposa, família, nosso maior receio é pegar e transmitir para os próximos. Mas eu estou confiante que os clubes vão fazer de tudo para que a gente jogue e trabalhe com segurança.  Jogar sem público no Mineirão  Para um time de massa, um time grande como o Cruzeiro é, é muito ruim jogar sem público, sem torcida. Torcedores que estão sempre presentes, lotando o estádio. É um pouco diferente. Eu senti isso no meu primeiro jogo, que foi contra o Coimbra. É bastante ruim porque estamos acostumados a ter a torcida a nosso favor, nos incentivando e nos empurrando de uma certa forma. Mas é um novo cenário do futebol, temos que nos acostumar o mais rápido possível para que não tenhamos surpresa dentro de campo.  Salários atrasados no Corinthians há três meses, clube que detém seus direitos  A gente está em um novo cenário mundialmente. Se você ver todas as empresas grandes, de nome, de porte muito grande estão sofrendo com essa pandemia, cortando salários, mandando funcionários embora. A gente sabe das dificuldades que os clubes estão tendo, não só o Corinthians, mas o Cruzeiro, dentre outros, de pagar seus vencimentos. Não estou com dor de cabeça a respeito disso, todos sabem que está atrasado lá, mas a diretoria do Corinthians tem falado que, em breve, vai acertar o salário com a gente. Então não tenho o porquê de me apavorar. Eu sou grato de ter um trabalho, de ter um contrato com o Corinthians e ter o Cruzeiro para trabalhar. Em relação ao Cruzeiro, eu não tenho o que falar porque desde que a nova diretoria assumiu, eles estão com o salário em dia, pagando de forma certa. Não tenho dor de cabeça em relação a isso.  Menos seis pontos na tabela da Série B  Um ano totalmente diferente, não só pelo Cruzeiro, mas também para mim. A camisa é outra, o peso é outro. Por mais que tenha responsabilidade, é totalmente diferente. Infelizmente vamos começar com essa situação de menos seis pontos, a gente está procurando esquecer isso, colocar na cabeça como se fosse zero, mas com a responsabilidade muito grande. Sabemos que é uma competição muito difícil, que vamos ter que, além de jogar futebol, guerrear bastante porque vai ter várias outras equipes com bastante qualidade. Mas estamos procurando esquecer essa situação e fazer nossa parte. E lá na frente, quando tivermos uma situação melhor, começar a pensar nisso.  Equipe mesclada e a torcida para ter Dedé como companheiro É uma equipe bastante mesclada, junto com jovens, tem alguns jogadores experientes. Tenho certeza que estamos focados, nosso elenco está bastante preparado, está se preparando ainda mais para quando começar o campeonato a gente possa tirar proveito de tudo que estamos fazendo no dia a dia. Em relação ao Dedé, eu vou ficar muito feliz se ele ficar no clube. É um cara de alto nível, que dispensa comentários. Infelizmente teve esse lance da lesão no joelho dele, mas se ele ficar, vai nos ajudar bastante.  Recado à torcida do Cruzeiro  Desde que eu cheguei ao clube em março, eu vi nas redes sociais, a torcida tem nos incentivado, nos apoiado, está um lado muito positivo da torcida para os jogadores. Eles podem ter certeza que vamos fazer nossa parte. Estamos nos dedicando bastante dentro de campo para quando retornar os jogos, quando o Mineiro for retomado, que se inicie a Série B, vamos dar o nosso máximo para reconstruir o Cruzeiro e voltar para a elite do futebol brasileiro.

 

Fonte: O Tempo