Presidente do Galo sugere retorno da Copa Sul-Minas; Cruzeiro apoia a ideia

Em debate virtual promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), nesta segunda-feira (27), o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, defendeu a volta da Copa Sul-Minas, competição realizada nos anos 2000, que funcionaria como produto de uma liga com os times de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. A iniciativa também tem o apoio do presidente do Cruzeiro, Sérgio Rodrigues. Sette Câmara citou o sucesso da Copa do Nordeste como exemplo a ser seguido. “Os campeonatos estaduais, com exceção do Paulista, já não têm mais interesse das grandes emissoras de televisão. Não sei se os novos players que vêm aí com o streaming terão. Eu acredito piamente, no nosso caso de Minas, que faríamos muito mais negócio e teríamos muito mais retorno financeiro se voltássemos com a liga Sul-Minas. Um campeonato que tem se mostrado bem interessante é a Copa do Nordeste, com televisionamento, com Ibope”, comparou o dirigente atleticano. O webinar também contou com a presença do presidente do Cruzeiro, Sérgio Rodrigues. Como a fala de Sette Câmara sobre o tema foi sua última participação no encontro, o dirigente celeste não foi chamado a opinar sobre o assunto. O Super.FC, então, entrou em contato com o presidente cruzeirense. “Essa é uma boa ideia, sim. Já começamos a aventar algumas situações sobre isso. É uma ideia que nos agrada, até diante dos adversários, que agregam a competição. Somos favoráveis, claro, discutindo isso de uma forma mais abrangente, se adaptando ao calendário”, ressaltou Rodrigues. O diretor de futebol do América, Paulo Bracks, também esteve na palestra, mas, por ser um assunto de direção, só o presidente Marcus Salum poderia comentar. O Super.FC procurou o Coelho, mas o clube não se manifestou. A live promovida pela OAB foi o primeiro debate público com a participação de Sérgio Rodrigues, eleito presidente do Cruzeiro, ao lado de Sérgio Sette Câmara, presidente do Galo desde 2018. O seminário discutiu a MP 984, como ficariam os direitos de transmissão e a criação de uma liga no país. Essa é uma das 91 emendas à medida provisória, de autoria do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), que também esteve no encontro. Do Estadual para o Regional e o interesse da Globo Além de Atlético, Cruzeiro, América e de um eventual quarto representante de Minas, a Copa Sul-Minas também reuniria Grêmio, Internacional, Athletico-PR, Coritiba, Paraná, Avaí, Figueirense, Chapecoense e outros representantes do Sul. Sette Câmara deixou claro que o assunto ainda precisa ser debatido, mas que vê a migração de um torneio estadual para um torneio como algo mais atrativo. “Toda vez que falo isso, parece que estou falando um palavrão. ‘Então, como ficam os Estaduais?’ Isso não é problema meu, é um problema da federação. O Atlético pode entrar, acredito que Cruzeiro e América também, com um time alternativo. Nós temos jovens estourando a idade que precisam de uma oportunidade. Isso está dentro das alternativas de se criar dinheiro novo, e acredito que uma Sul-Minas faria frente a um Campeonato Paulista. Já discuti isso com outras pessoas do ramo, já vi alguns números interessantes, e essa é uma questão para ser debatida numa outra oportunidade”, destacou Sette Câmara. “A continuidade dos campeonatos estaduais sem o interesse da TV (seria inviável). A Globo, não sei se já conversou com o Serginho (Cruzeiro) ou com o América, já sinalizou que, nesse modelo, ela não interessa. Acredito que o Campeonato Carioca também não vai ter mais Globo, a partir do momento em que ele se encerrar. É uma coisa que temos que repensar em prol dos nossos clubes”, completou dirigente alvinegro. O atual contrato da Globo para o Campeonato Mineiro vai até 2021. Atlético e Cruzeiro recebem R$ 14,3 milhões cada um. O América fica com R$ 4 milhões, e cada equipe do interior leva R$ 1 milhão. “O contrato da Globo para o Campeonato Mineiro, tal como todos os Estaduais, pode ser revisto a partir do ano que vem, de formato, de calendário, de sistema de disputa. A gente não pode esquecer que a Série A (2020) é até o final de fevereiro, Série B é até o final de janeiro. O calendário de 2021 já está comprometido. Deve haver uma discussão no âmbito das federações com a CBF com relação aos Estaduais, o que impacta, obviamente, os direitos de transmissão”, lembrou Paulo Bracks, também no webinar.

 

Fonte: O Tempo