Permutas, empréstimos retomados e parcerias: diretor do Cruzeiro avalia finanças

Ao Super.FC, Matheus Rocha, diretor de controladoria e finanças do Cruzeiro, destacou as ações que o clube vêm fazendo nesse início de trabalho da gestão Sérgio Santos Rodrigues para tentar equilibrar as receitas e tornar a Raposa viável. Os desafios são enormes. Com uma dívida apontada ainda pelo conselho gestor em R$ 800 milhões e situações jurídicas nas mais variadas esferas, a Raposa vem se segurando no que possui para honrar com os compromissos urgentes do clube, estimados em R$ 70 milhões.  Mas alguns frutos já aparecem, como a retomada dos pagamentos em dia para funcionários e atletas. Só em folhas salariais desde a posse de Sérgio, o Cruzeiro apontou R$ 5 milhões quitados e mais R$ 1 milhão em luvas e direitos de imagem. Matheus comentou as estratégias que o clube têm usado para dar essa liquidez financeira e assegurar as prioridades, dentre elas os débitos na Fifa. Um dos pontos de redução de despesas é o dia a dia do clube, com o clube fechando permutas.  “Nossa prioridade é pagar todo os funcionários e as dívidas na Fifa. Os fornecedores nós estamos fazendo um planejamento financeiro para pagá-los ao longo do tempo. E ao mesmo tempo, nós estamos trabalhando na contenção de gastos com permutas e parceiros do clube para reduzir ao máximo os gastos do nosso dia a dia”, disse Matheus.  MANTENDO OS SALÁRIOS EM DIA O Cruzeiro, mesmo em meio à pandemia, tem conseguido cumprir com os salários do administrativo e também dos atletas.  “A pandemia afetou todos os clubes, empresas e todos os setores da economia. Porém, no Cruzeiro, como a gente teve uma redução salarial significativa no início do ano, em função da nossa situação de alto custo de salários, os efeitos foram minimizados. Diferentemente de outros clubes do Brasil, nós conseguimos cortar outros custos antes da pandemia. A gente já sabia que não teria cota de TV, como foi antecipada e todos sabem, e a única receita que reduziu foi a de bilheteria. Mas, em compensação, nosso departamento de comercial e marketing está trabalhando forte e já conseguiu fechar vários patrocinadores para o segundo semestre de 2020 e além disso fechamos o máster de 2021”, explicou o diretor celeste.  Para tanto, Matheus Rocha pontuou o que o clube tem buscado fazer para assegurar que essa pendência, a obrigação de toda a finalidade comercial, inclusive desportiva, se mantivesse inalterada desde então.  “Desde a chegada da nova gestão, nós conseguimos trazer muitos novos patrocinadores, sejam para as lives, sejam patrocinadores para os nossos uniformes, nosso comercial está trabalhando muito forte nisso. Nós tivemos algumas reduções de custo que também ajuda a ter uma menor saída de caixa. Nós tivemos parceiros que fizeram permuta com a gente em troca de publicidade, estamos monetizando muito os nossos conteúdos da internet. Conseguimos também renovar empréstimos bancários que mostram a nossa credibilidade frente ao mercado também. Todos esses pilares ajudaram a colocar esses salários em dia”, conta o diretor de finanças  do clube.  CONFIANÇA NO ACESSO Matheus foi questionado pela reportagem sobre as renegociações salariais que foram feitas com os atletas da temporada 2019, todos eles ajuizados e que apontam para pagamentos a partir do ano que vem, em uma espécie de poupança. Grande parte da confiança da diretoria do Cruzeiro para poder honrar com esses compromissos está no acesso à Série A e o aumento das receitas, mesmo que algumas situações estejam comprometidas, como o adiantamento das cotas de TV. Mas a economia, segundo Matheus, continuará.   “Nós queremos para 2021 manter os custos atuais, estamos com um time muito forte trabalhando nesse sentido. Temos a convicção de que subiremos para a Série A e, com isso, aumentaremos as nossas receitas e conseguiremos ter um time bastante competitivo para 2021”, sinalizou Matheus Rocha.  IRREGULARIDADES DA GESTÃO WAGNER O balanço de 2019, divulgado pelo Cruzeiro ainda na época do conselho gestor, mostrou um déficit 500% superior ao de 2018, com o clube passando de R$ 73 milhões para os R4 394 milhões divulgados.Com essa sangria nas finanças do Cruzeiro, o time mineiro acumula uma dívida de R$ 803.486.208. Matheus Rocha foi questionado se as apurações financeiras do clube na gestão atual identificaram irregularidades nas prestações contábeis e se possíveis ‘maquiagens’ nos números puderam ser detectados.  “Na verdade, os documentos que apresentam alguma irregularidade, que a gente entende que deve ser cobrado dos antigos dirigentes, o jurídico já está sendo acionado. Com relação a irregularidades contábeis, elas não existem. O balanço está registrado com o que foi gasto. Se foi gasto com o que não deveria, está registrado que é uma despesa que o Cruzeiro pagou. Então não existe manobra para ‘maquiar’ números. O balanço está devidamente apresentado e auditado por uma empresa internacional de auditoria”, encerrou o dirigente.

 

Fonte: O Tempo