Interlocutor do conselho gestor do Cruzeiro explica cláusula da saída de Angulo

De uma hora para outra, o Cruzeiro perdeu um dos seus principais jogadores. O Palmeiras requisitou na manhã desta quarta-feira (22) a volta do atacante Angulo, que estava emprestado à Raposa. Poucas horas depois, a diretoria do clube celeste anunciava a despedida do jogador, que sequer estreou. Uma cláusula no contrato estabelecido entre Palmeiras e Cruzeiro deixou os torcedores da equipe mineira revoltados. O Verdão poderia pedir, a qualquer momento, o retorno do jogador a São Paulo, sem qualquer ônus. Em nota oficial, a atual gestão do presidente Sérgio Santos Rodrigues fez questão de esclarecer que o contrato havia sido firmado pelo conselho gestor, que administrou o clube até sua chegada, e que nada poderia ser feito. Interlocutor do conselho e personagem que participou diretamente da elaboração do contrato, Carlos Ferreira explicou a situação e disse que foram feitas tentativas, sem sucesso, de anular a cláusula. “Inúmeras tentativas desta exclusão foram propostas, porém recusadas. Vale lembrar que este tipo de cláusula é comum nos contratos de empréstimos firmados sem ônus ao clube contratante, isso é regra no futebol brasileiro”, justificou Carlos Ferreira. “Seria ilusão nossa achar que o Palmeiras iria emprestar o jogador sem custos, pagar 70% dos salários, arcar com todos encargos trabalhistas e ainda pagaria por uma rescisão contratual”, completou ele. “Será que diante dessas inúmeras vantagens cedidas ao Cruzeiro, oriundas de uma parceria de irmãos, consolidada ao longo de décadas, ainda iria aceitar a exclusão desta cláusula?”, questionou o ex-dirigente da Raposa. Para Carlos Ferreira, era impossível prever que um atleta que estava fora dos planos do Verdão se tornaria uma peça importante de uma hora para outra. “Jamais iríamos imaginar que o Palmeiras iria se desfazer do Dudu, que o Rony seria punido pela Fifa e que o Gabriel Veron iria se lesionar”, ponderou Carlos Ferreira. O ex-dirigente ainda se defendeu das acusações. “Ficar atrás de um smartphone ou um computador, promovendo uma execução sumária de um grupo,  que dedicava 24 horas ao Cruzeiro, sem remuneração, tão somente por puro amor ao clube, sem nenhuma vaidade é no mínimo uma tremenda  covardia”, disse. A reportagem do Super.FC também conversou com o ex-diretor de futebol Ocimar Bolicenho, mas ele explicou que não fez parte da elaboração do contrato, firmado no dia de sua saída do clube.

 

Fonte: O Tempo