Insegurança à depressão: profissional do América auxilia familiares dos juniores

A realidade do futebol vai muito além da rotina dos treinamentos e das conquistas e derrotas, nas quarto linhas. O período de pandemia do novo coronavírus apresentou desafios e dificuldades para muitas famílias e, com a interrupção do futebol, quem convive com os atletas das categorias de base passam por momentos delicados, já que os juniores seguem sem atividades, em todo o Brasil. No América, a missão de manter estas famílias informadas e de auxiliá-las nas dificuldades, ficou com a assistente social, Heloísa Verçosa. Heloísa atende cerca de 210 famílias de jogadores da base, do América, distribuídas, não só por grandes centros em Minas Gerais, como também por outros Estados e zonas rurais. De acordo com a assistente social, 80% dos atletas apresentam vulnerabilidade, tanto social quanto econômica, e dependem do auxílio de programas do Governo, como o Bolsa Família. Por falar em programas socioeconômicos, Verçosa relata grande dificuldade das famílias no acesso ao auxílio emergencial. Além de muitos não terem intimidade com a internet, o dinheiro muitas vezes não chega rápido para quem mais precisa. “Mesmo com os cadastros feitos de forma correta, porque auxiliei estas famílias de forma muito próxima, já que a maioria delas apresentam pouco intimidade com os meios digitais, muitos cadastros foram negados e outros foram aprovados, porém, até hoje não foram feitos depósitos. Então informei estas famílias e estou as instruindo a buscarem a Defensoria Pública para tentarem resolver esta situação e receberem o benefício”, contou a assistente. Toda essa dificuldade e a incerteza de quando as coisas voltarão ao ‘normal’, geram nas famílias graves problemas psicológicos. Heloísa revela que trabalhar o emocional tem sido outra questão desafiadora, neste período. “Tenho feito um atendimento muito próximo, porque eles estão apresentando muita insegurança, medo, ansiedade, estresse e depressão. Então, tenho que fazer o reforço do vínculo familiar, neste isolamento, por conta deste novo formado de viver e conviver. Levo informação a eles, porque eu preciso deixá-los atualizados em relação a tudo que acontece, neste momento, além do acesso aos direitos e prevenção. Também dou instrução com relação a busca de certos serviços em equipamentos, como o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), prefeituras e as escolas”, revelou Sem perspectivas de retorno do calendário das categorias de base, os jovens atletas tiveram os contratos reativados, após 60 dias de suspensão, por meio da MP 936. Os garotos da base seguem agora com trabalho remoto, supervisionados pelos preparadores físicos.  O Clube também acompanha a adesão dos jogadores aos programas de estudos.

 

Fonte: O Tempo