Incidente com faca e mais: queda de técnica do América causa revolta no elenco

O América anunciou a demissão da treinadora Kethleen Azevedo do comando do time feminino na última sexta (3). Ela estava no cargo desde fevereiro de 2019, após boa passagem pelo Ipatinga. O Super.FC apurou que boa parte do elenco foi pego de surpresa e não aprovou a repentina demissão da técnica.  Isso porque a comandante tinha um forte envolvimento com o grupo. Muitas atletas souberam da decisão do clube primeiramente pela nota divulgada no site oficial. O América, então, fez uma live com as jogadoras para explicar a decisão de não manter a treinadora. Segundo apurou a reportagem, a justificativa da demissão foi que o clube pretende contratar uma pessoa que tenha ao menos curso de Educação Física, com maior suporte acadêmico para o comando do time feminino. Em seu site, o América justificou que “a mudança no comando técnico faz parte de um processo de restruturação do Futebol Feminino do América, que inclui o desenvolvimento do caderno metodológico da categoria e novas diretrizes de gestão técnica, entre outras medidas”. Incidente com faca, custos do próprio bolso e equipamentos O envolvimento de Kethleen com o time feminino foi intenso ao longo de 2019. Algumas questões pesaram para a revolta da maioria das jogadoras, como o Super.FC lista a seguir. No ano passado, uma jogadora chegou a apontar uma faca para a técnica em um treinamento, mas nenhuma punição foi aplicada pelo América. Foi exigido, apenas, um pedido de desculpas por parte da atleta envolvida no caso. Kethleen é de Ipatinga, onde deixou sua família para comandar o América em Belo Horizonte. Ela morou em um alojamento em que vivem atletas do clube que são de fora da capital mineira. A treinadora chegou a bancar toda a alimentação do alojamento no decorrer de 2019 com dinheiro do próprio bolso. Neste ano, o América orientou a técnica que buscasse um outro local para morar. Segundo apurou o Super.FC, em 2019 ela chegou a dormir no sofá porque não havia mais cama. Em folgas e fins de semana sem jogos, costumava viajar para sua cidade para ficar com a família. Kethleen ainda chegou a usar equipamentos próprios nos treinos da equipe feminina. Com ela, foi demitida também a auxiliar Laysa Gisele. O clube ainda não anunciou nenhum nome para a reposição da treinadora. No dia da demissão, o Super.FC fez contato com Kethleen. “Fui pega de surpresa. Fui  comunicada agora à tarde do meu desligamento. Até ontem à tarde, eu e a Luiza, supervisora, vínhamos conversando sobre as meninas, sobre o time.  Mas faz parte. Quero agradecer a torcida, que me abraçou desde o primeiro dia, as atletas por tudo. Bola para frente. Vou desejar sorte para o time nesse Campeonato Brasileiro, que eu tenho certeza que vai retornar [à Série A1] e o time tem grande chance de buscar o acesso”, disse Kethleen à reportagem na sexta passada. O que diz o América A reportagem questionou o América sobre a preferência por alguém com formação acadêmica e se, no período em que Kethleen esteve no clube, foi oferecida a ela alguma ajuda para que buscasse uma formação. Em nota, o clube informou que “os esclarecimentos sobre a mudança de comando foram prestados no comunicado oficial divulgado pelo clube e na fala da Luiza Parreiras, Supervisora de Futebol Feminino. Destacamos que o clube já iniciou o processo seletivo para a Coordenação Técnica do Futebol Feminino”. Disse, ainda, que “o profissional contratado vai atuar com foco exclusivo no desenvolvimento e na padronização de processos da categoria, além de planejar e operacionalizar ambientes de formação para colaboradores e atletas do Futebol Feminino do América”. A reportagem também questionou sobre o episódio em que uma atleta teria apontado uma faca para Kethleen. Segundo o América, o “clube não tem conhecimento de nenhum episódio no qual uma atleta tenha atentado contra a vida de qualquer outro colaborador”. No entanto, segundo apurou o Super.FC, algumas atletas contactaram o clube logo após o acontecido. Sobre o fato de Kethleen ter bancado a alimentação das atletas de fora no alojamento em que elas moram, o América informou que “não possui alojamento para a equipe feminina. Como não há moradia, o clube não atua na gestão da alimentação das atletas em ambiente pessoal”. Questionado sobre os custos do alojamento, como alimentação, aluguel e outras questões, o América voltou a afirmar que não tem alojamento para o time feminino e que “o clube oferece auxílio-moradia para que as atletas de fora possam se instalar de maneira independente. De fato, em 2019, a treinadora morou no mesmo local que algumas atletas, sem qualquer participação do Clube. Em 2020, o América recomendou a toda a comissão técnica o fim dessa prática”.  Sobre o uso de materiais próprios da treinadora em atividades, o América afirmou que “sim, a treinadora utilizava alguns materiais próprios nos treinos. Os itens serão devolvidos e o processo será reajustado pelo clube”. Mudanças O América pretende reestruturar o departamento de futebol feminino do clube. Além da troca do comando técnico, um novo cargo será criado no departamento para auxiliar a reformulação do setor, como comentou a supervisora Luiza Parreiras. “Vamos iniciar um processo seletivo para função de coordenação técnica que vai ser um novo papel, visando ter uniformidade de decisões e de medidas dentro da categoria. Para isso, o clube, brevemente, vai abrir um processo seletivo para essa função e, consequentemente, para treinador e auxiliar. Eles seguirão estes princípios e esses perfis que a gente vem buscando e estabelecendo dentro das diretrizes, do nosso caderno metodológico”, disse ao site oficial do América.

Fonte: O Tempo