Galo: torcedor teve CNH suspensa após 18 infrações indo à final da Libertadores

Quem já pegou a avenida Antônio Carlos, em Belo Horizonte, em horário de pico, sabe como o trânsito fica caótico. Mas, quem já pegou a Antônio Carlos em horário de pico, sendo dia de jogo no Mineirão, vai entender o que viveu o atleticano Frederico Neves. Há exatos sete anos, o torcedor do Galo enfrentou uma aventura para conseguir chegar ao Gigante da Pampulha na final da Libertadores de 2013, entre Atlético e Olimpia. Natural de Almenara, no Vale do Jequitinhonha, Frederico cresceu em Belo Horizonte. Em 2006, foi morar no Espírito Santo, mas não deixou de vir com frequência a BH para acompanhar jogos do Galo. Foi o que aconteceu em 2013, quando decidiu ver de perto a final da Libertadores daquele ano. Apesar de estar em um bairro próximo ao Mineirão, palco da decisão em 24 de julho, enfrentou um engarrafamento e buscou uma saída que custou caro depois. “Saí por volta das 18h30 do bairro Lagoinha e o trânsito estava completamente parado. O tempo passava e a aflição ficava ainda maior. Foi quando eu resolvi ‘invadir’ a pista do MOVE. A Guarda Municipal fazia sinal que não podia, mas eu falava que eu estava perdido. Meu carro tem placa do Espírito Santo. E segui na pista do MOVE, algumas partes ainda estavam em obras, mas segui e gastei 22 minutos até o estádio. Cheguei 20h35”, relembra o geógrafo de 40 anos. A pista do MOVE na avenida Antônio Carlos estava em obras para a Copa do Mundo de 2014 e atualmente é um corredor situado no meio da via, uma pista exclusiva para ônibus do sistema. A atitude do torcedor teve consequências depois que ele voltou para o Espírito Santo, com multas que chegaram a cerca de R$ 2 mil. “Depois de tudo, as multas chegaram, 18 infrações no total. A somatória ultrapassou os 20 pontos, tive minha CNH suspensa por 12 meses. Fiz o curso de reciclagem e paguei as multas. Além do dinheiro, tinha mais uma conta a pagar. A promessa de subir o Convento da Penha, em Vila Velha, 13 vezes”, conta Frederico. No estádio, Fred tinha marcado de se encontrar com Ícaro Guerra, um amigo que vinha de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Ícaro estava com os ingressos dos dois. “Se eu ficasse naquele transito, eu não chegaria a tempo para o jogo. Meu amigo Ícaro Guerra, que estava com o ingresso, iria entrar no estádio, e eu ficaria de fora. Passavam mil coisas na cabeça, e na hora na titubiei, fiz essa loucura”, recorda. Morreu, mas ressuscitou com a defesa Depois da loucura com 18 infrações em 22 minutos, além das multas e excesso de pontos na CNH, Frederico entrou no estádio até com certa antecedência para acompanhar a maior conquista da história do Atlético. “Eu estava atrás do gol que o Jô e o Leo fizeram os gols. Quando me falam da Libertadores de 2013, o que me vem à mente é aquela bola do Leo Silva viajando. Parece que o mundo parou, a bola fez um arco e demorou uma eternidade até entrar”, relembra Frederico. Outro momento marcante da conquista da Libertadores pelo Atlético que ficou com destaque nas lembranças do torcedor foi a defesa de pênalti do goleiro Victor contra o Tijuana, nas quartas de final. “Tem o dia da ressurreição, a defesa do Victor. Quando o árbitro deu o pênalti, eu morri. Quando o Victor defendeu, eu ressuscitei”, brinca Fred ao se recordar da defesa do goleiro na cobrança de Riascos. O Atlético comemora o aniversário da conquista da América nesta sexta. O clube entrou em campo no Mineirão em 24 de julho, mas levantou a taça já na madrugada do dia 25 após decisão que foi para os pênaltis contra o Olimpia (4 a 3 para o Galo nas penalidades após 2 a 0 no tempo normal e 2 a 2 no agregado).

 

Fonte: O Tempo