Galo, Grêmio e Red Bull defendem negociação em bloco pra direitos de transmissão

Um dos 16 signatários do manifesto de clubes da Série A pela Lei do Mandante – termo criado após a publicação da Medida Provisória 984 –, o presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, esclareceu, nesta quinta (23), no Congresso Nacional de Futebol, que é a favor da mudança na legislação, mas com a condição das equipes discutirem contratos de transmissão em blocos. “Assinamos o manifesto dos clubes, mas deixo bem claro que é sob condição. Aquilo só vai prosperar se os clubes tiverem associados e fizerem a negociação em blocos. Isoladamente, temos certeza que estaremos dando um passo para trás”, disse Sette Câmara, que participou do painel ao lado do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, e do head de futebol do Red Bull Bragantino, Thiago Scuro. O Grêmio não assinou o manifesto, assim como Fluminense, Botafogo e São Paulo. Bolzan, porém, explicou que há muito a se discutir e, por isso, preferiu não se posicionar a favor do manifesto. “A iniciativa, da forma que aconteceu, com contratos em vigor, poderia ter sido feita com conteúdo muito mais culturalmente preparado. Essa foi uma situação que nos levou de reboque, não foi buscada para formatar uma posição”, ressaltou o dirigente gremista. O Red Bull, que subiu este ano e ainda não tem contrato de transmissão assinado para o Campeonato Brasileiro, concorda que é preciso um debate maior. “Como estamos em tratativas, nosso entendimento é a favor de um movimento coletivo. O direito de transmissão individual é uma modernização, mas é importante que os clubes se aglutinem, com pesos pré-estabelecidos e transparentes”, defendeu Scuro. O clube-empresa também assinou o manifesto. O presidente do Grêmio, por sua vez, se posicionou contra a criação de uma liga, especialmente, com a função de organizar campeonatos. “O futebol brasileiro tem muita capacidade de reunião e pouca união. Há culturas, tamanhos, protagonismos e preconceitos diferentes entre os clubes. Sou a favor de uma associação, não de uma liga. Não vejo a capacidade dos clubes de realizarem o próprio campeonato”, afirmou. Sette Câmara vai na mesma linha. “Eu também sou a favor de uma associação, um escritório de negócios, dos clubes participarem de um conselho de administração, com executivos que não tenham ligação com os clubes, fazendo negociação em blocos e mais contratos interessantes”, ponderou.

 

Fonte: O Tempo