Frustrado, Ocimar lamenta trabalho no Cruzeiro: ‘pior experiência que tive’

Ex-diretor de futebol do Cruzeiro durante a passagem do conselho gestor, Ocimar Bolicenho, destacou em live da “Pluri Consultoria”, no YouTube, que teme pelas dificuldades que a Raposa poderá enfrentar na Série B do Campeonato Brasileiro. Ele também avaliou sua passagem pelo clube estrelado, considerando-a como a pior experiência que teve em termos profissionais.  “Foram só 70 dias. Na verdade foi a pior experiência que eu tive até porque a gente não teve condição de implementar nenhum tipo de processo. Nós pegamos um Cruzeiro absolutamente desmontado, que vinha de um rebaixamento para a Série B, coisa que na história do clube não havia acontecido ainda. uma folha extremamente cara, que em dezembro de 2019 beirava os R$ 16 milhões. E começamos o ano dentro de uma economia muito grande, com uma folha de aproximadamente R$ 2,8 milhões. Começamos o Mineiro, tivemos vitórias, mas bastou ter dois resultados ruins, que foi uma derrota para o CRB na Copa do Brasil, por 2 a 0, a derrota para o Coimbra, na última partida que foi disputada, para que todo o projeto fosse jogado no lixo”, analisou o ex-dirigente estrelado.  “Eu gosto de falar a verdade, talvez as pessoas não gostavam muito de ouvir a realidade que eu previa que o Cruzeiro enfrentaria. E ainda temo pela realidade que o clube vai entrar na Série B, principalmente porque vai entrar com menos seis pontos. Até quando saí de lá, isso não havia acontecido ainda, mas é um fator de dificuldade tremenda. Podem ter certeza que vai existir muita dificuldade do Cruzeiro buscar esses pontos perdidos, porque a competição é bastante equilibrada, que o digam, desde 2008, Corinthians,  Internacional, todos aqueles clubes grandes que caíram, e que tiveram dificuldades. Só foram firmar sua volta à Série A nas duas ou três últimas rodadas do Brasileiro”, reforçou Ocimar durante live.  O executivo de futebol apontou frustração por não ter conseguido entregar o que planejava para o clube. “Obviamente nosso projeto maior não era o Mineiro. Mas isso não foi entendido por aqueles que comandavam o clube naquele momento, e eu me sinto frustrado por não ter conseguido entregar ao Cruzeiro aquilo que eu gostaria, que era a volta à Série A”, ressaltou o ex-diretor de futebol do clube.  Por ter vivido de perto a realidade complicada do clube, Ocimar fez um apelo à torcida do Cruzeiro para que tenham paciência com quem está na direção da Raposa. Ele elogiou ainda Sérgio Santos Rodrigues, atual mandatário celeste.  “Elogio a coragem do Sérgio Rodrigues, que assumiu um mandato tampão, algo que não é fácil, é muito curto. E como diz você, os resultados que comandam o desejo da torcida. O recado que eu gostaria de deixar é que a torcida do Cruzeiro tenha paciência com essas pessoas que lá estão hoje, que eles vão enfrentar um desafio muito difícil em um espaço de tempo muito curto. Não tenham pressa. Ninguém prometeu quando chegou lá que o Cruzeiro seria campeão mineiro desse ano. Até  porque só na renegociação dos contratos que tivemos que fazer, nós perdemos, nesses 70 dias, ao menos 80% deles”, disse Ocimar.  O dirigente terminou sua fala sobre o clube mostrando confiança que o Cruzeiro conseguirá o acesso, mas voltou a alertar para a humildade necessária para superar esse momento turbulento.  “Nesses 70 dias, a gente levantou assuntou antigos do que realmente se preocupar em montar um time para disputar o Mineiro, até porque não tinha recursos para isso, mas mesmo assim pudemos concretizar algumas orientações, o conselho gestor seguiu, de comprar o Thiago, por exemplo, um menino muito promissor, que estava lá com uma opção de preferência e o Cruzeiro acabou exercendo. Mas outras coisas não foram possíveis de fazer, até porque não tinha ferramentas para isso. Fomos mais mecânicos do que engenheiros, a gente mais consertou do que fez obra nova. Uma pena porque era um desafio muito bacana, acho que o Cruzeiro é uma instituição de Série A, vai voltar à Série A, não tenho dúvidas, mas só acho que o clube precisa ter a humildade de reconhecer o momento dele hoje é muito difícil”, concluiu Ocimar.

 

Fonte: O Tempo