Dorival, Mancini e ex-atletas vão ajudar a fiscalizar Profut; Cruzeiro é alvo

O governo federal nomeou, na última segunda-feira (27), os novos membros do plenário da Autoridade Pública de Governança do Futebol (Apfut), um colegiado de profissionais de diferentes setores do mercado que trata, entre outras coisas, de fiscalizar o cumprimento das normas do Programa de Modernização da Gestão e Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut). O Cruzeiro é, atualmente, o clube que mais corre risco de ser desligado do programa de refinanciamento, o que traria graves consequências para seu trabalho de reestruturação financeira. O conselho da Apfut será composto por nomes bem conhecidos do futebol brasileiro, como os ex-jogadores Ricardo Rocha e Deco e os técnicos Vagner Mancini e Dorival Júnior. Também fazem parte da lista os presidentes do Bahia, Guilherme Bellintani, e do Fortaleza, Marcelo Paz, os ex-árbitros Renato Marsiglia e Gutemberg de Paula Fonseca, o CEO do Red Bull Bragantino, Thiago Scuro, e do diretor executivo da Ernst & Young, Pedro Daniel. Os cargos não são remunerados. A Apfut é presidida pelo especialista em marketing esportivo Thiago Froes, que assumiu o posto no início de junho. A última reunião do conselho aconteceu em dezembro de 2018, ainda na gestão do presidente Michel Temer. Em fevereiro deste ano, os membros da Apfut tiveram seus mandatos encerrados. O órgão já foi presidido por André Argolo, escolhido como diretor executivo do Cruzeiro no fim do ano passado e que, atualmente, exerce função de diretor esportivo da gestão Sérgio Rodrigues. No fim da última semana, a 14ª Vara Cível da Justiça de Minas Gerais derrubou a liminar que concedia ao Cruzeiro a permanência no Profut. O clube tinha conseguido voltar ao programa em abril depois de ser excluído no início do ano por atraso no pagamentos das parcelas no ano passado, uma das mazelas da administração Wagner Pires de Sá. Em nota, o Cruzeiro informou que seu departamento jurídico já trabalha para reverter a situação. Nesta quarta-feira, o clube concederá uma entrevista coletiva virtual com as presença do superintendente jurídico Flávio Boson e do advogado tributarista João Paulo de Almeida Melo. Em entrevista ao Super.FC, o também advogado tributarista Rafael Pandolfo explicou as consequências para o Cruzeiro em caso de exclusão definitiva do Profut. “O clube, quando é excluído do Profut, a primeira consequência é a retomada do passivo no seu valor original, sem os descontos. Esse passivo se torna vencido de uma vez e pode ser objeto de uma execução fiscal. Então o clube será executado, provavelmente, por esses débitos, e isso poderá implicar uma penhora de receitas, o que no momento difícil da economia pode ter um impacto financeiro substancial”, ressalta. A Raposa reconhece os débitos tributários e existem parcelas do programa que não foram pagas, mas justificou na ocasião que “nenhum contribuinte poderia ser excluído antes da consolidação do parcelamento”. A decisão da última semana veio na esteira de uma cobrança que o Cruzeiro recebeu da União, exigindo o pagamento de R$ 7,4 milhões pelo não repasse do Imposto de Renda retido no ano passado. Gestões modernas Uma das funções do plenário da Apfut é fiscalizar o cumprimento do Profut, que estabelece princípios e práticas de responsabilidade fiscal e financeira e de gestão transparente e democrática para entidades desportivas profissionais de futebol, além de instituir parcelamentos especiais para recuperação de dívidas com a União. O presidente da Apfut, Thiago Froes ressalta a importância de gestões esportivas eficazes e sustentáveis para o bem do futebol brasileiro. “Uma vez que os principais players do jogo estejam saudáveis, a cadeia como um todo será impactada positivamente. Nós, como governo, temos que pensar dessa maneira, ter de forma clara as metas de arrecadação, a austeridade para aplicação da lei e dos compromissos firmados, a fim de restituir a credibilidade do mercado e, com isso, estimular a economia. A consequência natural será um retorno para a sociedade como um todo. O plenário e seus membros serão peças fundamentais para que o novo cenário possa se estabelecer em um futuro bem próximo”, afirmou Froes, ao portal do governo federal.

 

Fonte: O Tempo