Dez anos depois: ‘O desejo africano que morreu nas mãos de Suárez’

Seria o início de uma era. Virou a consolidação de uma hegemonia europeia Há 10 anos, a África finalizava uma Copa do Mundo que não encheu os olhos com o futebol apresentado, mas que ressoa em campo até hoje. Eu, repórter enviado pelo Jornal O TEMPO à Johannesbugo, fecho os olhos hoje e consigo ouvir perfeitamente o barulho das vuvuzelas. Você, leitor e amante de futebol, continua falando sobre os ícones daquele futebol. Apesar de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi terem estado longe daquela final, eles são as referências do futebol que se viu de lá para cá. A Espanha coroou o tiki taka do Barcelona de Pep Guardiola e mostrou a força dos galáticos do Real Madrid. Mesmo sem as suas principais referências, o espírito daquele futebol foi coroado ali. A nota triste fica para a ausência de um africano, ao menos, nas semifinais da Copa do Mundo. Havia muita expectativa, principalmente com Gana e Costa do Marfim. Em 1998, Pelé disse que uma seleção africana seria campeã do mundo em breve. O sonho de todos é que isso aconteceria no Soccer City, estádio de Johannesburgo. O desejo morreu nas mãos de Luisito Suarez e na cavadinha de El Loco Abreu. O Uruguai eliminou Gana nos pênaltis, nas quartas de final, e o clima daquela Copa desabou. Os africanos ficaram revoltados com Suarez, destacaram a sua falta de esportiva e, aos poucos, no meio do Mundial, a normalidade foi tomando conta das cidades sul-africanas. Foi a última vez que uma seleção africana chegou tão perto de uma semifinal. Depois disso, o futebol mostrou que quanto mais dinheiro, melhor a preparação, e os europeus dominaram tudo. Dez anos depois, nem Brasil nem Argentina fizeram frente a eles. Infelizmente, em território africano, os europeus, mais uma vez, mostraram o seu poder imperialista, consumado nas duas Copas seguintes. *Cândido Henrique, editor executivo de O TEMPO, teve a honra de seguir até a Àfrica do Sul no mesmo voo de três lendas da história do futebol mundial: Alberto Ghiggia, o uruguaio que calou o Maracanã; Eusébio, a lenda do futebol português e mundial; e Pelé, o maior jogador de todos os tempos. Repórter à epoca, Cândido organizou a cobertura do torneio mundial e também esteve in loco nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012.

 

Fonte: O Tempo