Cruzeiro vai reformular portal da transparência e promete balanços trimestrais

A situação financeira do Cruzeiro é complicada, mas viável. Matheus Rocha, diretor de Controladoria e Finanças do clube, destacou, em entrevista ao Super.FC, as iniciativas que o seu departamento e toda a nova gestão do clube vêm fazendo para restabelecer a credibilidade da Raposa, dentre elas a reestruturação da portal da transparência, que foi lançado pelo conselho gestor, mas que agora, de acordo com o dirigente, terá os balanços trimestrais.  O primeiro deles dará conta do recebimento do clube por parte da administração atual. Depois, um balanço do primeiro mês da gestão Sérgio Santos Rodrigues será divulgado, sendo então publicado, a partir disso, as demonstrações trimestrais das movimentações do clube.  “Nós vamos reformular o portal da transparência. Nisso, já estamos trabalhando pesado nas demonstrações financeiras de 31 de maio, para deixar registrado como está o clube no início da gestão. Também vamos trabalhar em demonstrações financeiras intemediárias trimestrais, então depois de 31 de maio, nós vamos soltar também as demonstrações financeiras de 30/06, e depois 30/09, 31/12 e assim por diante. A ideia é deixar o mais transparente possível, não só para os torcedores, mas também para os fornecedores e todos aqueles que querem trabalhar com o Cruzeiro”, assegura Matheus. O dirigente ainda pontuou ao Super.FC a importância do departamento de planejamento econômico, uma das novidades propostas pela administração, para orçar e controlar custos de todos os setores do clube, evitando que o Cruzeiro, como aconteceu nos anos anteriores, gaste mais do que a receita que possui.  “Quando nós chegamos aqui no clube, o Cruzeiro estava muito carente de controles internos. Então nós iniciamos uma reformulação dos processos internos. Então, assim, pela primeira vez, em 99 anos, o Cruzeiro terá um departamento de planejamento econômico, que vai ser responsável por orçamento e custos de todo o clube, seja do futebol, dos clubes sociais, dos administrativos, de tudo”, explica o diretor.  “O Cruzeiro sempre visou o resultado esportivo em detrimento do resultado econômico. Agora nós vamos olhar as duas pontas. Tanto o esportivo quanto o econômico. Nós queremos que o Cruzeiro seja um clube sustentável. Nós já vimos que não adianta eu ganhar um título em um ano e ser rebaixado no outro. Isso não resolve nada. Nós não vamos gastar mais do que nossos receitas”, acrescentou o dirigente ao Super.FC.  Um clube viável, apesar de todas as dificuldades financeiras Matheus Rocha endossou a opinião do presidente Sérgio Santos Rodrigues sobre a viabilidade financeira do Cruzeiro. O clube teria uma dívida projetada superior a R$ 800 milhões, como apontou o conselho gestor ainda em janeiro, sendo R$ 70 milhões apenas em débitos urgentes. O trabalho de todos os departamentos para criar soluções inovadoras é o caminho que Matheus enxerga para transformar o Cruzeiro em um clube sustenável.   “O Cruzeiro é muito maior que os seus problemas. Sabemos que o clube é viável, sabemos o tamanho da torcida, sabemos que a torcida vai nos ajudar a virar essa página da história. Essa gestão já é referência em inovação, nós temos muitas cabeças pensantes, a todo o momento aparecem ideias e soluções inovadoras para a gente passar o dia a dia do clube”, afirmou.  Na última quinta-feira, Sérgio Santos Rodrigues já divulgou alguns dos investimentos que o clube fez desde sua chegada. Foram R$ 28 milhões pagos apenas em dívidas.  “A nossa gestão iniciou em primeiro de junho e, desde então, pagamos R$ 28 milhoes de dívidas contraídas anteriormente. Já falei aqui, não é culpa de ninguém, a responsabilidade é nossa, assumimos sabemos disso. Vamos cumprir esses compromissos, porque o Cruzeiro virou a chavinha no dia 21 (de maio, o dia da eleição presidencial). Estamos falando, repito, de R$ 28 milhões. Isso demonstra porque essa diretoria, essa gestão chegou no Cruzeiro, viemos para consertar o Cruzeiro, retomar para os trilhos, para construir um novo Cruzeiro, por isso precisamos da torcida e que o Conselho esteja ao lado disso”, reforçou Sérgio Santos Rodrigues, fazendo alusão à reunião do dia 3 de agosto, que poderá autorizar a alienação do imóvel conhecido como “Campestre 2” para amortização de dívidas na Fifa.  Dos R$ 28 milhões citados pelo presidente, R$ 20 milhões foram em dívidas na Fifa, sendo que R$ 5 milhões foram destinados às folhas salariais em atraso, R$ 2 milhões em impostos e R$ 1 milhão em direitos de imagem e luvas.

 

Fonte: O Tempo