Cruzeiro se inspira no Barcelona e NBA e cria programa de inovação com startups

Criar processos dez vezes mais rápidos, dez vezes mais baratos e dez vezes mais rentáveis. Apoiado em conceitos de inovação e tecnologia, o Cruzeiro decidiu abrir as portas da sede administrativa do Barro Preto para a cultura das startups. Inspirado em modelos do Barcelona e da NBA, a Raposa está estruturando o Blue Hub, um projeto inédito entre os clubes brasileiros, que propõe parcerias para a resolução de problemas do clube, especialmente, nas relações com torcedores e parceiros comerciais. Trata-se de um programa de inovação aberta, liderado pelo superintendente de Inovação e Digital, Rodrigo Moreira, CEO da Smartalk, empresa especializada em comunicação de impacto. “Vamos conectar a estrutura do Cruzeiro a startups, trazê-las para dentro do clube, dando estrutura, mentoria, conhecimento, relacionamento, base de clientes e torcedores, para, com isso, desenvolver uma solução sob medida para gente. As startups terão um produto testado para levá-lo ao mercado e, nós, a solução para uma problema”, explica Moreira. Presidente do Cruzeiro, Sérgio Rodrigues é um entusiasta da ideia. Em fevereiro deste ano, a convite de Rodrigo Moreira, o dirigente esteve em Chicago, nos Estados Unidos, para conhecer a estrutura de inovação da liga de basquete norte-americana. “Buscamos inspirações no modelo da NBA, de produção e distribuição de conteúdo, e no modelo espanhol do Barça, para o ambiente de inovação”, detalhou Moreira. Belo Horizonte é considerada um das cidades-pólo de startups no país, com mais de 300 empresas. Entre as mais conhecidas, estão a Sympla (venda de ingressos), Max Milhas (compra e venda de passagens aéreas), Samba Tech (distribuidora de vídeos por streaming) e Méliuz (cashback). Todas, de alguma forma, poderiam criar soluções para problemas do clube. Relacionamentos São muitos os projetos que podem ser aperfeiçoados no Cruzeiro por meio da tecnologia. O programa de sócio-torcedor é o que mais têm demandas. “Vamos pensar em desenvolver estratégias, digitais ou não, que tenha o torcedor como o centro de tudo. No passado, o Cruzeiro não ouvia o torcedor na hora da tomada de decisão. O sócio nunca foi um projeto pensado para o torcedor. O básico é ouvi-lo nas redes sociais e entender o que ele quer comunicar com o clube”, destacou Moreira. A base da inovação nem sempre é digital, mas ela é uma forma de atingir um resultado de forma mais rápida e barata, na avaliação do especialista cruzeirense. Com uma base de 7 milhões de seguidores nas redes sociais, o Cruzeiro pode trabalhar bem isso. E é justamente por isso que o relacionamento com os patrocinadores mudou. Não basta ter dinheiro e comprar um espaço na camisa. “Minha métrica com a Emccamp (construtora) é vender apartamentos, com o Bem Protege é assinar proteção veicular, com o Supermercados BH é vender produtos. Eu passo a não entregar exposição na camisa mas, digitalmente, a entregar ativação de marca, o que muda totalmente a relação”, ponderou o superintendente. Experimentação A cultura de startups presa pela tentativa e erro. E é o que o Cruzeiro vem fazendo nos últimos dias, em propostas como as lives ancoradas pelo presidente, que usa o espaço para fazer o anúncio de novidades, ou a Operação Fifa, projeto para arrecadar dinheiro para o pagamento das dívidas pela compra dos direitos de atletas, ou mesmo no lançamento do sócio Diamante, com mensalidades de R$ 1 mil para cruzeirense mais ricos. “Você viu que a gente testou várias coisas no marketing no últimos dias. Em cada uma delas, você está disposto a errar, mas errar baratinho e rápido. O Cruzeiro não pode errar em marketing. Ele pode errar baratinho, porque quando acertar, vai fazer uma festa grande”, comparou.

 

Fonte: O Tempo