Cruzeiro: presidente quer parcelar dívida com a União e criminalizar ex-cartolas

O presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, utilizou sua live para dar esclarecimentos sobre uma ordem judicial que determina ao clube o pagamento de R$ 7.476.013,90 à União relativa ao não repasse do imposto retido de 2019. O não pagamento do valor em cinco dias pode acarretar penhora de bens e outros desdobramentos tributários. Em sua comunicação com os torcedores, o mandatário buscou, a todo o momento, apontar que o clube possuía conhecimento da pendência e que está preparado para tratar dos débitos tributários que possui.  “A gente tem planejamento. Óbvio que conhecemos todos os processos que o Cruzeiro sofre, sobretudo os processos que envolvem tributos municipais, estaduais e federais. Então nada surpreende a gente porque quando você tem planejamento, você está pronto para qualquer coisa que possa acontecer”, disse o presidente do Cruzeiro.   “A gente recebeu muita consulta, conselheiros, até patrocinadores preocupados, nos dizendo: ‘nossa, mas isso daí vai acabar, vai ser um problema muito grande para o Cruzeiro’. Fiquem tranquilos porque não é”, completou Sérgio.  O dirigente apontou os caminhos que o Cruzeiro busca para solucionar o imbróglio. Um deles é responsabilizar os antigos administradores do clube, no caso Wagner Pires de Sá e seus diretores, uma vez que se configura até mesmo um crime, nas palavras do presidente, de apropriação indébita.  “A única coisa que nos entristece é um caso que tem como origem um imposto de renda, retido na fonte que se fala, de um período entre janeiro e fevereiro de 2019. Ou seja, a gestão que estava aqui se apropriou desse imposto e não deu a destinação devida que era o pagamento. Houve um erro muito grande aí, tanto é que o que estamos fazendo: vamos tentar, a partir de agora, culpar quem fez isso. E quem fez nós sabemos, nome e sobrenome de quem estava aqui em fevereiro e março de 2019. A gente já falou que vai ser implacável com esse pessoal, continuaremos sempre assim. Entendemos que isso, inclusive, configura crime de apropriação indébita. Vamos oficiar o Ministério Público Federal que abra um processo criminal contra essas pessoas que lesaram o Cruzeiro duplamente. Eles retiveram esse dinheiro, mas não deram a destinação correta.  Outra medida será ir até à Procuradoria Geral da Fazenda, algo que só não foi feito ainda devido à pandemia, de acordo com Sérgio. O clube celeste toma como exemplo o que o Flamengo fez na gestão Bandeira de Melo.  “No caso específico, o Cruzeiro não foi citado no referido processo. Só quando formos citados haverá prazo para recurso, e há a possibilidade sempre em caso tributário, porque a pandemia impossibilita, a gente já fez o contato com nossos representantes legais, vamos à Procurardoria Geral da Fazendo Nacional, buscar sentar e parcelar todos esses débitos. Eu não nego hora nenhuma o modelo que a gente tem do Flamengo, e conto sempre isso. O Bandeira, antes da posse dele, foi até à Procuradoria, assentou, até contou na época que não era muito comum isso, um clube de futebol procurar o fisco para dizer ‘eu vou te pagar, mas dentro da minha necessidade’. A gente quis fazer isso, só não fizemos isso devido à pandemia. Mas vamos fazer, vamos resolver isso”, reforçou o dirigente.  A dívida tributária é uma das grandes preocupações do departamento financeiro do Cruzeiro e também do jurídico do clube, pois pode implicar em questões como o Profut, programa de refinanciamnto importantíssimo para a sobrevivência dos clubes de futebol atualmente. A discussão sobre a sequência do clube no programa prossegue. Recentemente, em abril, uma decisão judicial estabeleceu que o Cruzeiro fosse reaceito no Profut.  Números do Cruzeiro na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional mostram que o Cruzeiro deve R$ 261.887.994,79, sendo R$ 253.770.074,73 referentes a tributos e R$ 8.117.920,06 em INSS.  Por meio de sua assessoria de imprensa, Cruzeiro ainda emitiu um comunicado oficial sobre o processo em questão.  Nota de Esclarecimento Em relação ao processo judicial n. 1023456-42.2020.4.01.3800, recentemente distribuído pela Fazenda Nacional, o Cruzeiro Esporte Clube esclarece: 1. O débito executado se refere a Imposto de Renda Retido na Fonte, que teve fato gerador em 01/01/2019. Foi aplicada, ainda, multa de mora. Trata-se de imposto de renda retido e não recolhido, ao que parece, por decisão dos antigos gestores, o que, em tese, poderia configurar crime. 2. O Clube ainda não foi citado no referido processo e, assim que for formalmente notificado, tomará todas as providências jurídicas necessárias. Dentre elas, estuda-se a indicação dos antigos dirigentes para que possam responder pela dívida. Ainda, pretende-se levar o fato ao conhecimento do Ministério Público para providências de ordem penal, se cabíveis. 3. Vale ressaltar que a atual gestão tem conhecimento de todos os débitos existentes na Procuradoria da Fazenda Nacional e na Receita Federal do Brasil, assim como dos demais formalizados nas demais esferas (estadual e municipal).  Por isso, diferentes planos de ação já foram traçados para regularizar as pendências com o fisco, no que for devido, bem como para insurgir em face de pretensões que possam atingir direitos do Clube.

Fonte: O Tempo