Cruzeiro: Grupo no conselho contesta alienação e promete reclamação na ouvidoria

Presente na última eleição para o conselho deliberativo do Cruzeiro, o ‘Grupo Independente’, constituído pelos conselheiros Luiz Carlos Rodrigues, Roberto Alvares Magalhães, André Carlos Fernandes e André Elia Martins, emitiu um comunicado nesta sexta-feira a todo colegiado celeste questionando a reunião proposta de alienação do imóvel da Campestre II, marcada para o próximo dia 3 de agosto, no Barro Preto.  Eles defendem o cumprimento do estatuto que, segundo o grupo, não estabelece a aprovação relativa apenas aos 9/10 presentes na reunião, além de questionar a postura do presidente Sérgio Santos Rodrigues, que não teria apontado em nenhum momento da campanha que seria necessário o clube abrir mão de patrimônios para sanar dívidas. O grupo pode ajuizar um processo em relação à não execução do regimento interno do clube.  “Perde um patrimônio indispensável aos associados da Campestre, além da segurança e conforto dos que frequentam o local. O nosso inconformismo é o seguinte, a partir do momento que ele (Sérgio Santos Rodrigues) participa da campanha falando que tem solução, dinheiro garantido com juros a 2,5%, hora nenhuma ele falou em alienação de patrimônio, e isso agora macula um pouco a gestão. Em suas apresentações, o presidente aparentou ter nos levado com muita segurança e clareza que já estava assegurado o dinheiro com taxa Selic, empresários. Um outro grande incômodo, o Sérgio é um advogado conceituado, e essa interpretação (sobre a necessidade de ter todo os conselheiros para a aprovação da alienação) atropela o entendimento do estatuto. O documento é muito claro. Nessa cláusula, do artigo que fala sobre a alienação, fala muito claramente sobre a necessidade de todo o colegiado, não apenas dos presentes, ainda mais para aprovar uma alienação de imóvel”, apontou Luiz Carlos Rodrigues, em contato com o Super.FC.  No documento, o grupo intensifica o pensamento retratado por Luiz Carlos. “Estamos com 50 dias da posse do novo Presidente. Destacamos isto, para sustentar que, a proposição de alienação do imóvel, ilegítima a campanha do então candidato Sergio Rodrigues, pois hora nenhuma fora aventada tal situação, ao contrário, sempre otimista em função de sua Equipe de trabalho, das receitas, de novas captações de recursos, da disposição de empréstimos por grandes cruzeirenses (taxa Selic), das parcerias, dos investidores e da capacidade de inovação, o que maculará sua eleição”, escreve.  O ‘Grupo Independente’ defende que o Cruzeiro transforme o futebol em um clube empresa, possibilitando, assim, a saída do clube da crise financeira que o assola.  “O futebol tem que valer o que vale, tem que ter o CPNJ próprio, um responsável”, comentou Luiz Carlos Rodrigues sobre os planos que o grupo colocou em discussão durante a campanha ao conselho.  “A única candidatura que tratou do sócio-torcedor foi a nossa, todas as outras propuseram que o torcedor terá direito a voto. A reforma desse estatuto não vai contemplar o sócio-torcedor. No nosso entendimento, no futebol é fundamental que esse sócio seja o ativador do elenco, com poder de decisão sobre tal, e os clubes sociais com um vida pujante e que gere lucro para a estrutura do clube”, acrescenta.  O grupo termina sua apresentação, enviada aos conselheiros, com os seguintes dizeres: “É premente a transformação do futebol em Clube Empresa, e somente assim, haverá saída para a crise financeira. A responsabilidade da dívida é do futebol. Do torcedor. O ônus não pode ficar para o associado. Temos um clube, que com uma administração profissional, separados da administração do futebol, tornar-se-á muito mais pujante”, pontua os conselheiros.  CASO NA OUVIDORIA Luiz Carlos Rodrigues destacou ao Super.FC que vai até a ouvidoria do Cruzeiro para protocolar uma reclamação relativa aos dizeres de Léo Portela, superintendente de relações institucionais e governamentais da Raposa, que publicou em suas redes sociais que o conselheiro que tiver interpretação diversa pode ingressar na Justiça para expressar seu ponto de vista, mas certamente será responsabilizado pela torcida pelo rebaixamento do Cruzeiro à Série C. “Estou indignado com isso. Isso é uma coação, isso é intimidar todos os conselheiros. A gente sugere, inclusive na nossa proposta de reforma do Estatuto, que é fundamental que os grandes temas sejam abertos e de conhecimento de todo o torcedor. Eu defendo que o voto deverá ser aberto, mas não nessa (reunião do dia 3 para a alienação de imóvel), porque seria atropelando o estatuto. Vou levar à ouvidoria do clube o caso. Não existe previsão estatutária para isso (de transmissão online). Estou indignado com a fala que o conselheiro que tiver um ponto de vista contrário à reunião será responsabilizado”, protestou o conselheiro. RESPOSTA DO CRUZEIRO O Super.FC entrou em contato com o Cruzeiro e sua diretoria para um posicionamento oficial do clube sobre o documento apresentado pelo grupo e também às declarações diretas feitas ao presidente Sérgio Santos Rodrigues e o superintentende Léo Portela. A assessoria emitiu uma nota. Confira abaixo: “A direção executiva do Cruzeiro Esporte Clube respeita e considera legítimos todos os tipos de manifestações sobre o assunto, mas reforça seu entendimento e posicionamento contrários em relação à interpretação de artigos do Estatuto. Em menos de dois meses à frente do Clube, a nova gestão já pagou quase R$ 30 milhões em dívidas, anunciou diversas novas parcerias, dentre elas quatro novos patrocinadores e extensão de contratos de outros dois, além de ter criado plataformas de monetização, em um delicado período de pandemia e sem a realização de jogos e eventos, tendo em seu planejamento o lançamento de novos produtos em breve. Mesmo com todo o esforço e dedicação para honrar compromissos e pagar as dívidas urgentes, e sempre contando com o apoio da Nação Azul no envolvimento com os novos projetos, a diretoria considera de suma importância a necessidade de venda de um ativo que não gera qualquer tipo de receita ao Clube, mas apenas despesas. A diretoria reitera que o processo de votação do Conselho e da possível venda, caso aprovada, serão realizados de forma totalmente transparente. E informa que, mesmo aprovada, a venda só será concretizada a partir de uma boa proposta que atenda aos anseios e necessidades do clube”, informou o clube.

 

Fonte: O Tempo