Cruzeiro: Fred se manifesta sobre ação e diz que rescisão foi único caminho

Por meio de comunicado enviado à imprensa, o atacante Fred se manifestou publicamente sobre o imbróglio judicial que vem travando com o Cruzeiro. A publicação do atleta, hoje no Fluminense, se deu após um pedido de reconsideração do Cruzeiro, apresentado em defesa, de sua liminar para poder assinar com qualquer clube, retomando o vínculo com a Raposa, e também após declarações do presidente Sérgio Santos Rodrigues sobre o contrato que foi celebrado entre o atleta e a Raposa, ainda no período da administração Wagner Pires e Itair Machado.  Fred inicia a nota, encaminhada por sua assessoria de imprensa, justamente rebatendo Sérgio Santos Rodrigues, que qualificou o vínculo como desastroso e um dos piores e mais absurdos que já viu no mundo do futebol em live na semana passada.  “Infelizmente, não tem sido essa a postura do Presidente Sérgio Santos Rodrigues, que nunca me procurou para discutir qualquer assunto relacionado ao Cruzeiro. A sua postura, ao contrário, tem sido a de fazer colocações públicas carregadas de duplo sentido, tentando gerar no torcedor a ideia de que a minha negociação com o Clube foi repleta de irregularidades”, aponta Fred.  “Muitas vezes, em suas declarações, o Sr. Presidente tem ultrapassado a sutil barreira que separa a liberdade de expressão do respeito à dignidade de um profissional (extensível aos seus familiares)”, acrescenta o atacante.  Fred continua seu comunicando apontando atrasos e irregularidades registradas em sua passagem pelo Cruzeiro. Em trechos posteriores, o jogador afirma que o vínculo que assinou com o Cruzeiro não apresenta aberrações ou anormalidades.   “Ao longo dos últimos anos, convivi com atrasos diversos no cumprimento dos meus contratos, algo que nunca foi exposto publicamente. Não bastasse isso, orientei os meus assessores a colaborarem com o Clube sempre que possível, em todos os aspectos. Reitero: a intenção jamais foi prejudicar o Cruzeiro. Apesar de compreender as limitações do Conselho Gestor, sentei-me à mesa com eles em mais de uma oportunidade, apresentei os valores da minha rescisão, disse estar aberto a uma composição, mas nunca obtive retorno”, afirma o ex-jogador do Cruzeiro.  Dessa maneira, Fred aponta que a única situação que lhe restou foi ingressar na Justiça pedindo a rescisão indireta do contrato.  “A decisão de ingressar na Justiça do Trabalho foi tardia e quase custou o fim precoce da minha carreira. Ao contrário da orientação dos meus advogados, confiava em uma liberação amigável, já que não era interesse do Clube a minha manutenção no elenco, com ou sem a revisão das bases financeiras. Essa hesitação quase me impediu de seguir trabalhando. Não recebia salários, não podia treinar com o grupo, a negociação para a minha liberação não avançava, o Clube ia assumindo novos compromissos, enfim, o cerco ia se fechando e uma decisão precisava ser tomada. O caminho da rescisão indireta foi o único que me restou”, publicou Fred.  O QUE A RAPOSA BUSCA O Cruzeiro questiona os valores da compensação em caso de rescisão, que está na casa dos R$ 50 milhões. A soma total dos valores pedidos por Fred atinge R$ 71 milhões, uma vez que o atleta também cobra por atrasos em salários, FGTS, 13º salário e direitos de imagem.  Em defesa, o Cruzeiro pede que a compensação em caso de rescisão seja reduzida ao limite dos salários a serem recebidos até o fim do contrato. Dessa maneira, o valor não seria superior a 1/3 (um terço) – R$9,6 milhões – do mínimo disposto no artigo 28 da Lei Pelé. O clube também pleiteia o reconhecimento da desobrigação do pagamento do valor. A reportagem do Super.FC entrou em contato com a assessoria do Cruzeiro para buscar um posicionamento do presidente Sérgio Santos Rodrigues sobre as declarações de Fred em relação à figura do mandatário. O clube comunicou que não vai se pronunciar sobre as falas do atacante.  ABAIXO O COMUNICADO ENVIADO POR FRED NA ÍNTEGRA: Comunicado oficial à imprensa Ao longo dos últimos meses, tenho notado um crescimento no número de entrevistas, declarações e notas à imprensa a respeito do meu contrato com o Cruzeiro Esporte Clube, especialmente da parte dos integrantes da nova diretoria, recém-empossada. É compreensivo (e até mesmo natural) que um Presidente eleito esteja sedento para resolver os conhecidos problemas que assolam o Cruzeiro, colocando toda a sua energia na tentativa de aproveitar o seu capital político atual, algo que tem sido lamentavelmente raro no Clube. Até mesmo por compreender o momento, procuro evitar debates via imprensa. Acredito que polêmicas apenas geram mais polêmicas e em nada contribuem para uma melhor solução do problema, que deve ser sempre aquela com menor desgaste possível para todos os envolvidos. Infelizmente, não tem sido essa a postura do Presidente Sérgio Santos Rodrigues, que nunca me procurou para discutir qualquer assunto relacionado ao Cruzeiro. A sua postura, ao contrário, tem sido a de fazer colocações públicas carregadas de duplo sentido, tentando gerar no torcedor a ideia de que a minha negociação com o Clube foi repleta de irregularidades. Muitas vezes, em suas declarações, o Sr. Presidente tem ultrapassado a sutil barreira que separa a liberdade de expressão do respeito à dignidade de um profissional (extensível aos seus familiares). Justamente por entender que alguns limites têm sido ultrapassados é que irei me posicionar publicamente. Os meus representantes foram procurados pelo Cruzeiro e acertaram a minha transferência para o Clube. A situação contratual com o Atlético e as minhas pretensões salariais foram expostas com absoluta transparência, como fazem prova os documentos que hoje são parte integrante de um desgastante procedimento arbitral e de uma ação trabalhista ainda em fase inicial. Posso dizer, com absoluta tranquilidade, que as bases do meu contrato com o Cruzeiro seguem o padrão estabelecido ao longo de minha carreira, sem nada que possa ser considerado aberrante, anormal. O processo que hoje corre perante a Justiça do Trabalho é público e os documentos estão lá à disposição de quem desejar acessá-los. Alguns esclarecimentos adicionais são igualmente necessários. Ao longo dos últimos anos, convivi com atrasos diversos no cumprimento dos meus contratos, algo que nunca foi exposto publicamente. Não bastasse isso, orientei os meus assessores a colaborarem com o Clube sempre que possível, em todos os aspectos. Reitero: a intenção jamais foi prejudicar o Cruzeiro. Apesar de compreender as limitações do Conselho Gestor, sentei-me à mesa com eles em mais de uma oportunidade, apresentei os valores da minha rescisão, disse estar aberto a uma composição, mas nunca obtive retorno. A decisão de ingressar na Justiça do Trabalho foi tardia e quase custou o fim precoce da minha carreira. Ao contrário da orientação dos meus advogados, confiava em uma liberação amigável, já que não era interesse do Clube a minha manutenção no elenco, com ou sem a revisão das bases financeiras. Essa hesitação quase me impediu de seguir trabalhando. Não recebia salários, não podia treinar com o grupo, a negociação para a minha liberação não avançava, o Clube ia assumindo novos compromissos, enfim, o cerco ia se fechando e uma decisão precisava ser tomada. O caminho da rescisão indireta foi o único que me restou. Mesmo tendo consciência de que existem sempre dois lados para uma mesma história, não posso deixar de revelar a minha insatisfação com a politização do caso. O que tem buscado a atual gestão é transferir a responsabilidade pelo cumprimento de obrigações validamente assumidas pela instituição a dois antigos integrantes da administração passada. Se esse será o caminho, cabe apenas à justiça a decisão final. Sigo tranquilo com o fato de que a questão foi submetida ao Poder Judiciário, que está absolutamente acostumado com assuntos mais importantes e com pressões muito mais intensas. Continuarei evitando entrevistas e declarações públicas, pois aprendi que as partes conversam com o Juiz por meio de petição redigida por seus advogados e não pela imprensa. Frederico Chaves Guedes

 

Fonte: O Tempo