Corinthians afrontou Justiça ao colocar Davó em campo contra o Oeste

Recentemente, a 9ª Vara Civil de Campinas decidiu não apenas anular a transação de Davó (intermediada pelo agente Fernando Garcia, irmão de Paulo Garcia, dono da Kalunga) do Guarani para o Corinthians, mas também mandou instaurar inquérito no MP-SP e na Receita Federal.
A acusação é a de que os citados, deliberadamente, incorreram em fraude, objetivando, entre outras coisas, driblar dívida do Bugre com seus credores.
Outra ação presente do apontado golpe foi a de Garcia pagar R$ 700 mil pelo atleta e, ato contínuo, repassá-lo ao Corinthians por R$ 2 milhões, depositados, estranhamente, em conta corrente estranha ao Guarani.
No último dia 22, na tentativa de estancar a investigação, o clube campineiro depositou R$ 20 mil na conta da RDRN – a empresa que, por calote, processou a equipe e conseguiu penhorar os direitos de Davó – parcelando o restante da pendência em seis vezes de R$ 10 mil.
Porém, a Justiça, apesar da iniciativa, manteve a decisão anterior, ou seja, de anulação do negócio e investigação criminal contra os envolvidos:
“(…) conheço do recurso do embargante, por tempestivo, mas o faço para negar-lhe provimento”
“O embargante pretende, essencialmente, rediscutir a decisão impugnada, o que deve ser externado por meio de recurso próprio, não se prestando os embargos de declaração para tal fim”
“Ressalta-se, aliás, a inocorrência de contradição, pois constou expressamente os fundamentos que levaram ao reconhecimento da fraude à execução, ao passo que não vinga a tentativa de afastá-la sob o pretexto de que a penhora não recaía sobre a cláusula indenizatória (multa de rescisão), mas apenas sobre os direitos federativos, cuja pretensão muito se assemelha àquela de quem tenta se valer da própria torpeza, o que não se admite”
Ao colocar Davó para jogar contra o Oeste, cinco dias após o indeferimento do recurso do Guarani, a diretoria do Corinthians assumiu risco desnecessário que, diante do histórico de escalações do atleta no campeonato, além da qualidade técnica apresentada nos treinamentos, somente se justificaria por possível pressão dos que precisam negociá-lo para minimizar prejuízos que, por razões óbvias, deverão surgir.
São, desde já, responsáveis por qualquer punição que o alvinegro venha a sofrer, na Justiça Comum, por conta dessa afronta, além do presidente, Andres Sanches, os diretores de futebol, Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, Jorge Kalil e Eduardo ‘Gaguinho’ Ferreira.

 

Fonte: Blog do Paulinho