Campeonato Mineiro: times do interior se desdobraram para volta do futebol

No meio de todas as dificuldades e restrições que foram impostas pela pandemia do novo coronavírus, os clubes do interior chegaram feridos, mas salvos, para as duas últimas rodadas do Campeonato Mineiro. A diferença de realidade entre alguns, como estrutura, calendário e investimento, impactou diretamente na forma como a preparação se deu nos últimos dias. Enquanto uns tiveram, no máximo, uma semana para se preparar para decisões nestas rodadas finais, outros tiveram mais de um mês entre testes contra a Covid-19 e treinos, conseguindo obedecer a uma escala de trabalhos físicos primeiro antes dos técnicos e táticos.  “Foram apenas 15 dias de preparação e o risco de uma lesão é maior. Não podemos treinar nem demais, nem de menos, é preciso encontrar um equilíbrio e tentar tirar proveito da base que foi mantida. Nos últimos dias, diminuímos a carga e tentamos aflorar a criatividade, a preparação fugiu de qualquer situação ideal. Vamos tentar ser um time organizado para compensar a perda da capacidade física. Neste momento, quem pode mais, chora menos. As condições desfavoráveis são para todos e quem suportar melhor a pressão, vai se beneficiar”, comenta Luizinho Lopes, técnico do Uberlândia.    É certo que o tempo de treinamentos após mais de 90 dias sem qualquer contato com bola ou campo não foi o ideal para o melhor desempenho de um time profissional. O curto tempo também exigiu muito das diretorias para encontrar jogadores para preencher lacunas nos elencos. A maioria dos times perdeu jogadores após suspender os contratos.  Entre todos os times do interior, o que sofreu menos foi o Tombense. Vice-líder e muito perto de vaga histórica na semifinal, a equipe voltou a treinar no dia 10 de maio, não sofreu perdas no elenco e nem teve testes positivos para o coronavírus. Em situação diferente, o Tupynambás, perto do rebaixamento, perdeu atletas e viu quatro nos cinco contratados contraírem a Covid-19, sendo obrigado a promover atletas do time sub-20.  “Estamos felizes com essa volta, a gente já vinha fazendo um trabalho de manutenção e foi importante que os atletas, mesmo durante o período de jogos, tenham ficado na cidade realizando atividades individuais. A nível de concentração, não é o ideal, acontece um maior nível de dispersão. Mas, com a retomada, sabendo que temos a série C pela frente, a cabeça do atleta muda, a concentração é outra, assim como a aplicação nos treinos. Já era hora de voltar e sentir essa adrenalina de novo e esperamos que seja algo seguro para todas as equipes. Temos que luta contra a pandemia com sabedoria, ninguém está dando a cara à tapa, de peito aberto. A FMF adotou os cuidados necessário e chegamos em um momento em que não podia mais ficar sem jogos”, comenta o técnico Eugênio Souza.  A garantia de presença na série C deu mais tranquilidade para o time de Tombos, que vai participar do torneio ao lado do Boa Esporte. Cada clube realizou, por conta própria, apenas um teste, com um segundo exame devendo acontecer nesta sexta-feira, 48h antes das partidas, custeado pela Federação Mineira de Futebol (FMF).  Medida necessária Sem condição de manter os jogadores durante a pandemia, a alternativa buscada pelos clubes foi liberar os atletas, suspender os contratos e buscar por uma solução quando a autorização de retomada viesse. A perda de jogadores foi inevitável e acabou sendo maior para uns e menor para outros. Certo é que todos foram prejudicados e precisarão se virar, da forma como for possível, para fazer seu melhor trabalho nas duas rodadas que faltam, com alguns objetivos claros nestes jogos, como manutenção na elite, vaga na série D de 2021 e presença no Troféu Inconfidência, torneio criado pela FMF para 2020 entre os clubes que não se classificarem para as semifinais.  Confira o raio-X de cada clube do interior mineiro  Coimbra: voltou a treinar em 8 de julho, quatro saídas e duas chegadas (atacante Guilherme Santos e meia Capixaba). Seis testes positivos para Covid-19 URT – Elenco que começou o Estadual tinha 29 atletas, hoje conta com 23. Voltou aos treinos no dia 15 de julho. Nove jogadores saíram desde a paralisação do Estadual, 14 chegaram. Nenhum teste positivo para Covid-19.  Uberlândia – retorno aos treinos no dia 18 de julho. Duas chegadas: atacante Éder Luis e lateral-esquerdo Vandinho. Deixaram o clube o goleiro Rafael, os atacantes Jhulliam e Tiago Amaral, o meia Diogo Peixoto e o lateral Joazi. Nenhum teste positivo para Covid-19.  Villa Nova: retorno aos treinos em 14 de julho. Equipe está concentrada na Toca da Raposa 1, em Belo Horizonte, desde a última sexta-feira. Oito atletas renovaram seus contratos, com destaque para o volante Augusto Recife. Um total de 20 atletas foram contratados, já pensando na série D. Volante Serginho foi contratado somente para os dois último jogos. Uma das contratações foi do atacante Jhulliam, que estava no Uberlândia.  Um atleta testou positivo (Carlos Magno, que veio da URT) e está em isolamento. Tombense: vice-líder e muito perto da semifinal, time não teve mudanças no elenco. Retornou aos treinos no dia 10 de maio. Nenhum teste positivo para Covid-19.  Caldense: a Veterana voltou a treinar no dia 11 de junho e vai evitar de fazer viagem para a Zona da Mata neste final de semana. Isso porque o Tupynambás teve dificuldade para encontrar um local para mandar seu jogo. A FMF optou por realizar a partida em Poços de Caldas, cidade que tem autorização para receber partidas sem torcida. Um total de 16 jogadores permaneceram e dois saíram. As novidades foram os goleiros Charles, João Altizani e Willian Magrão, o zagueiro Caio Talarico, o lateral-direito Rodrigo Souza, os volantes Gabriel Tonini e Henrique Caivano, os meias João Goes, Léo Rafael e Bruno Oliveira, além dos atacantes João Pedro, Thelly, Vinicius de Paiva e Kaique Maciel. Nenhum teste deu positivos para a Covid-19.  Tupynambás – na lanterna da competição e ainda sem vencer, voltou aos treinos no dia 18 de julho. Cinco jogadores foram contratados. Destes, quatro testaram positivo para a Covid-19 e cinco foram afastados, uma vez que um deles estava em contato direto com um dos diagnosticados positivamente. Cinco atletas subiram do sub-20. Um total de oito atleta contraiu a doença. Nove jogadores deixaram o elenco. Clube tentou interromper Estadual na Justiça por meio de liminar, que acabou sendo negada.  Boa Esporte: Cinco saídas e 12 chegadas, nenhum teste positivo para Covid-19. Proibição de atividades esportivas na cidade de Varginha impediu que treinos fossem realizados. Jogadores fizeram treinos físicos separadamente e de forma remota nas últimas semanas.  Patrocinense: retorno aos treinos no dia 14 de julho. elenco teve seis remanescentes e contratou outros 16. Nenhum teste positivo para Covid-19.

Fonte: O Tempo