Caldense: Entrosamento de sete anos é um dos segredos para vaga ‘nas mãos’

Na última rodada da fase de classificação do Campeonato Mineiro, nesta quarta-feira, a Caldense busca manter um feito que poucos times do interior conseguem a cada edição do Estadual: não perder para os três grandes de Belo Horizonte. Depois de empatar com o Coelho na estreia e vencer o Atlético, no MIneirão, a Veterana enfrenta o Cruzeiro, às 21h30, dentro do seu estádio, para confirmar presença na semifinal do torneio. O time está na terceira posição, com a vaga encaminhada e pode até perder por dois gols de diferença para se classificar.  As duas derrotas até aqui vieram para URT e para o líder Tombense. Um simples empate garante a Caldense na próxima fase, resultado que ainda beneficia o Galo, que luta contra seu arquirrival por uma das quatro equipes que estarão na próxima fase.  Entre os destaques do time, dois vice-artilheiros com quatro gols: o meia Nathan e o atacante João Victor, que ajudaram a equipe de Poços de Caldas a ter o melhor ataque do torneio e já se garantir na edição de 2021 da série D. O que também teve importante influência para os bons resultados é o fato de que boa parte dos titulares atua junto desde o sub-15 e estão sob o comando de Marcus Paulo Grippi desde 2013. Um total de 14 atletas é velho conhecido do treinador. Desde então, eles estiveram juntos em muitas temporadas, normalmente atuando em equipes do interior de São Paulo como Hortolândia e Bragantino. Parceria da Caldense com empresários da região permitiu que muitos destes atletas seguissem juntos em 2020. Nem mesmo a pandemia, que trouxe riscos de alteração no elenco, conseguiu impedir o bom momento. “Atualmente, no futebol brasileiro, é muito comum vermos grupos sendo montados e trabalhando pouco tempo junto. Esses atletas estão com a gente há sete anos. Todos têm um excelente relacionamento, são amigos dentro e fora de campo. Formam uma família. Todos se conhecem muito bem, cresceram juntos e sabem a maneira do outro de jogar. Isso proporciona um excelente entrosamento e consequentemente contribui para um bom desempenho”, conta o técnico, que também tem relação de anos com alguns membros da sua comissão técnica.  Sem tirar o pé para ter chances de ser líder Vale lembrar que a Caldense pode ir além das semifinais, com a liderança sendo possível, dependendo dos outros resultados. O que deixou esta possibilidade em aberto foi a goleada de 4 a 0 sobre o Tupynambás na última rodada, dentro de casa. Nesta partida, a Veterana vencia por 3 a 0 no segundo tempo, o que não fez o time ‘tirar o pé’. “Sabia que a parte física poderia ser bem aproveitada pelo nosso time, ciente de que o Tupynambás tinha sofrido com a parada do campeonato. Pedi para o time seguir imprimindo um forte ritmo, quanto mais gols seria melhor pra gente. Fomos eficientes e conseguimos esta boa vantagem”, conta o técnico Marcos Paulo Grippi. Goleada para Cruzeiro pode colocar tudo a perder Ao mesmo tempo em que a classificação parece próxima, a Caldense sabe que ainda não há nada garantido. Vitória do Cruzeiro por 3 a 0 pode colocar tudo a perder, caso o Atlético vença a Patrocinense. “Sabemos da nossa vantagem, mas futebol é jogado. Se der brecha, principalmente pra time grande, a coisa pode complicar, eles podem vir pra cima e abrir uma vantagem. Temos que fazer nossa parte bem feito, colocar nosso ritmo em campo para sempre buscar a vitória”, pontua o treinador.  Pandemia colocou classificação em xeque Mesmo estando no G-4 durante a paralisação do Campeonato Mineiro, em virtude da pandemia do coronavírus, a Caldense viu a classificação ficar ameaçada com a possibilidade de uma ‘debandada’ de jogadores. Os contratos de boa parte do elenco foram suspensos, mas retomados, com poucas mudanças. O que fez a diferença foi a parceria com empresários do interior de São Paulo, que contribuíram para que a equipe não sofresse muitas mudanças, o que poderia acarretar em uma dificuldade grande para se manter dentro da zona de classificação. Um total de 16 jogadores permaneceram e dois saíram, com 14 novas chegadas. “A regra das cinco substituições foi importante já nesta última rodada, conseguimos trocar meio time sem deixar a intensidade cair. Nossa ideia era tentar improvisar pouco. Cada um cumpriu muito bem sua função”, analisa Grippi.

Fonte: O Tempo