Antes ‘observador’, Cruzeiro quer presença e reformula parceria com licenciados

Camisas, bonés, cachecois, itens comemorativos, canecas, canetas, chaveiros, toda a bugiganga que você possa imaginar… Olhar a experiência dos esportes norte-americanos e de gigantes do futebol internacional requer também analisar as estratégias de produtos licenciados desenvolvidos pelas agremiações. O assunto sempre foi deficitário no futebol brasileiro, com os clubes do país tendo pouco poder ou praticamente nulo poder de decisão sobre as suas propriedades. Um desses casos é o Cruzeiro. Rodrigo Moreira, superintendente de inovação e digital do clube, apontou, em entrevista à rádio Super 91.7 FM, que a Raposa vem reestruturando a parceria com licenciados para ter presença efetiva na relação de consumo entre o torcedor e o Cruzeiro. A medida é importante, uma vez que o mercado de produtos licenciados, ainda mais com a proximidade do centenário, pode abastecer os cofres do clube e auxiliar na construção desejada pela diretoria.   “O processo de licenciamento do Cruzeiro, de produtos, de lojas esportivas, ele vinha sendo um modelo que o clube não tinha participação da decisão. Então o Cruzeiro falava muito bem de sua camisa, ganhava títulos, mas na hora de comprar o produto, ele (torcedor) não estava comprando do Cruzeiro. Ele comprava de um parceiro licenciado oficialmente, mas ele (parceiro licenciado) que tem a decisão e que define o que o produto vai ter, que produto vai comprar, o que ele quer distribuir para a torcida”, contou Rodrigo, que sinalizou uma mudança completa nesse comportamento que vinha sendo empregado pelo clube, inclusive com o Cruzeiro criando uma plataforma própria para a venda de produtos.  “Vai ficar algo muito bom para os nossos parceiros, a gente vai ter não só os produtos, mas ativar o produto. Mas para ativar o produto, a gente precisa garantir que vamos ter para entregar. Então para garantir esse produto, estamos reformulando toda a nossa estruturação de parceria com licenciados, com lojas, com venda de produtos online. Hoje o Cruzeiro não vende produtos pela internet, se você compra um produto online do clube, o material é do clube, licenciado, oficial, mas o produto não é do Cruzeiro. Então se o produto não chegar na sua casa, o Cruzeiro não tem essa responsabilidade. Não foi ele que te mandou entregar. Mas queremos ter essa responsabilidade, eu quero cuidar da relação Cruzeiro e torcedor ponta a ponta. Onde tem Cruzeiro e torcedor, nós, do clube, temos que estar nessa relação, queremos que o produto chegue na sua mão. Não importa se você more em Paris ou Pains, eu preciso acompanhar a relação com qualquer torcedor nosso”, explicou Rodrigo Moreira à Super 91.7 FM.  De acordo com dados da Associação Brasileira de Licenciamento, a Abral, o Brasil está entre os sete países com o maior faturamento em licenciamento de marcas no mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Japão, Inglaterra, México e Canadá. Mas ainda há uma grande dificuldade no mundo da bola de caminhar por essa indústria. Em maio deste ano, por exemplo, o Barcelona começou a operar um e-commerce próprio, comercializando todos os produtos com a marca do clube de maneira independente da Nike e com uma expectativa de faturamento de 300 milhões de euros em cinco anos. A medida era um movimento esperado. Em 2018, quando da renovação de contrato com a gigante norte-americana, a equipe catalã reassumiu os próprios direitos de varejo, licenciamento e merchandising, tirando-os da Nike. Faltava apenas o site, que ainda era operado pela fornecedora norte-americana.  Atualmente, no Brasil, os clubes estão começando a enxergar possibilidades neste sentido com a criação das marcas próprias. Clubes como o Bahia e Paysandu vêm executando essa iniciativa e obtendo resultados positivos. Aventou-se no Cruzeiro a possiibilidade para tal pensamento ainda no período de conselho gestor, quando discutiu-se o fim do contrato com a Adidas. Para se ter uma ideia do potencial de mercado, há clubes da Europa que superam R$ 300 milhões por ano com venda de produtos relacionados às suas marcas.

 

Fonte: O Tempo